“A hipocrisia é o ato de fingir ter crenças, virtudes e sentimentos que a pessoa na verdade não possui. A palavra deriva do latim hypocrisis e do grego hupokrisis ambos significando representar ou fingir. Um exemplo clássico de ato hipócrita é denunciar alguém por realizar alguma ação enquanto realiza a mesma ação.”
O ser humano costuma ter aquela necessidade de omitir seus pontos fracos. Pessoa forte a tudo, forte a todos. No mais, tentará exprimir o que lhe faz bem, mas não além disto.
Eis uma auto-defesa. Se não existe a noção de quais seriam seus pontos fracos, ninguém o afetaria, certo?
Errado. Nós temos inúmeros pontos fracos, e não temos porque tentar escondê-los. Assim como qualidades devem ser mostradas, os defeitos também devem. Às vezes passamos a modelar uma imagem para os outros tão forte que acabamos perdendo nossa própria identidade. E muito pior que hipocrisia com os outros, é o fingimento para si mesmo.
Quando escondemos o que nos afeta, é um reflexo de não querer que aquela pessoa utilize daquilo para, exclusivamente, atingir-nos. E assim nós fazemos não só com colegas, mas às vezes estendemos até mesmo para amigos e família, intencionalmente ou não.
Mas o que não notamos, é que o próprio convívio com os outros vai deixando brechas, permitindo aos outros nos conhecer mais e mais. Passamos a não ter dimensão o quanto alguém conhece nossa realidade, achando-nos muito entendidos por uma pessoa que sequer sabe o que gostamos de comer e não dando valor àquela que notou que você está mais sorridente em um dia que sequer mostrou os dentes.
Quanto mais você passa o tempo com alguém, mais vai permitindo que aquela pessoa saiba quem você é. E, com isso, ela também vai pegando um pouco de você. Por isso o medo dos pais desde cedo quanto à amizade de seus filhos.
Entramos aí na análise do famoso provérbio: “Diga-me com quem andas, que te direi quem és”. Muito do conhecimento de alguém pode se dar diante das pessoas com que aquela pessoa convive e dos lugares os quais freqüenta pois, como dito anteriormente, o convívio vai, além de permitindo conhecimento, mudando quem você é, tornando-o um pouco mais parecido com o companheiro(a).
“O caráter é o termo da psicologia que designa o aspecto da personalidade responsável pela forma habitual e constante de agir peculiar a cada indivíduo; esta qualidade, é inerente somente a uma pessoa, pois é o conjunto dos traços particulares, o modo de ser desta; sua índole, sua natureza e temperamento. O conjunto das qualidades, boas ou más, de um indivíduo lhe determinam a conduta e a concepção moral; seu gênio, humor, temperamento, este, sendo resultado de progressiva adaptação constitucional do sujeito às condições ambientais, familiares, pedagógicas e sociais.”
Entretanto, não podemos generalizar uma pessoa pelo seu grupo. Cada um tem seu próprio caráter, e por mais de influências que ele sofre do meio, há uma parte dele que não vai ser afetada tão fácil. É onde ele guarda seus conceitos e idéias fixas. O fato de um budista conviver com vários muçulmanos não significa que ele vá mudar a doutrina que segue por isso, tampouco modificar a de seus amigos. Uma pessoa pode ser amiga de uma série de drogados e sequer despertar interesse pelo uso. Crianças podem ser amigas de pessoas mais velhas e isso não signifique que ela tenha de pensar como um adulto, tampouco o idoso como uma criança.
“Preconceito é um juízo preconcebido, manifestado geralmente na forma de uma atitude discriminatória perante pessoas, lugares ou tradições considerados diferentes ou "estranhos". Costuma indicar desconhecimento pejorativo de alguém ao que lhe é diferente.
De modo geral, o ponto de partida do preconceito é uma generalização superficial, chamada estereótipo, exemplo: "todos os alemães são prepotentes", "todos os americanos são arrogantes", "todos os ingleses são frios", "todos os baianos são preguiçosos", "todos os paulistas são metidos", etc.”
É aí que entramos na questão do preconceito. Pois resigna as pessoas àquelas com as quais ela anda. Que cria um estereótipo que você deve seguir, quebrando todo o direito de ter seu próprio caráter, necessitando seguir um já pré-definido.
Mas, voltando ao que realmente optei por aqui falar. As pessoas devem andar com aquelas que lhe façam sentir bem, e não devem esconder seus pontos fracos para estas. O medo de que qualquer uma destas o afete é um erro.
Diz também outro provérbio : ”Quem procura, acha e não perde o tempo.”. A este, podemos agora dar uma outra conotação. Aquele que buscar seu ponto fraco, achará.
Com isso, não estou afirmando ser fácil ou difícil saber o que pode fazer alguém sofrer ou não. Só quero defender a idéia de que nada adianta fingir uma pessoa mais forte do que você é porque no fundo aquele que quiser lhe afetar vai o fazer.
Se um grande amigo de infância resolver espalhar para as pessoas onde foi que você na verdade levou aquele corte na cabeça que você tanto insistiu ter sido em uma mera queda, isso não se dará pelo fato de você simplesmente ter contado para ele. Isso acontecerá porque ele quis, apenas por isso. Ele procurou um modo de lhe afetar, e foi assim que ele achou.
Por isso digo que, qualquer pessoa conheça o quanto conhecer você, se quiser lhe ferir, conseguirá. Porque todos nós, seres humanos, somos vulneráveis a inúmeras situações, e cabe a nós sabermos enfrentá-las.
quinta-feira, 31 de julho de 2008
domingo, 20 de julho de 2008
Bastidores
Você chama aquela pessoa especial, compra uma pipoca e reserva cadeiras em lugares perfeitos para ver aquela peça pela qual você esperava há meses. O grande dia chega, e lá está você sentado ao lado da pessoa que tanto deseja no teatro da sua cidade..
as cortinas se abrem e o espetáculo começa..
opa, opa, opa..
o real espetáculo começou há tempos, mas você não percebeu.
Atrás das cortinas o show rola em desesperada beleza, não aquela beleza pronta que a gente decora, não foi pseudo-emoções que rolaram...
a loirinha corre atrás de passar suas falas mais uma vez, o diretor que está a mais de 10 metros de distância escuta o coração dela bater em harmonia com seu desespero. O mocinho retoca a maquiagem para garantir a beleza do espetáculo sem nem perceber que a beleza já aflora em seu rosto pintado de emoções mil. A gente não percebe... mas o grande espetáculo está lá atrás das cortinas... o jorrar de emoções está lá atrás... nos bastidores.
E do mesmo modo ocorre em nossas vidas,
seguramos o choro pra fingirmos força quando na verdade ser forte é não ter vergonha de chorar;
fingimos estar felizes e completos em meio aos amigos quando no fundo sentimos que nos falta algo muito importante;
disfarçamos nossa culpa, nossa falta de interesse, escondemos sentimentos e criamos muitos outros para podermos participar do show das pessoas..
mas no fundo o espetáculo rolou faz muito tempo... dentro do elevador, no banheiro do restaurante, no quarto, ..
Camuflamos o que se passa de verdade só para abrir as cortinas e mostrar um "espetáculo" aos outros
as cortinas se abrem e o espetáculo começa..
opa, opa, opa..
o real espetáculo começou há tempos, mas você não percebeu.
Atrás das cortinas o show rola em desesperada beleza, não aquela beleza pronta que a gente decora, não foi pseudo-emoções que rolaram...
a loirinha corre atrás de passar suas falas mais uma vez, o diretor que está a mais de 10 metros de distância escuta o coração dela bater em harmonia com seu desespero. O mocinho retoca a maquiagem para garantir a beleza do espetáculo sem nem perceber que a beleza já aflora em seu rosto pintado de emoções mil. A gente não percebe... mas o grande espetáculo está lá atrás das cortinas... o jorrar de emoções está lá atrás... nos bastidores.
E do mesmo modo ocorre em nossas vidas,
seguramos o choro pra fingirmos força quando na verdade ser forte é não ter vergonha de chorar;
fingimos estar felizes e completos em meio aos amigos quando no fundo sentimos que nos falta algo muito importante;
disfarçamos nossa culpa, nossa falta de interesse, escondemos sentimentos e criamos muitos outros para podermos participar do show das pessoas..
mas no fundo o espetáculo rolou faz muito tempo... dentro do elevador, no banheiro do restaurante, no quarto, ..
Camuflamos o que se passa de verdade só para abrir as cortinas e mostrar um "espetáculo" aos outros
quarta-feira, 2 de julho de 2008
Em busca do MRU
E quando tudo parece ter passado...
...Nós nos damos conta que não vivemos em um mundo linear.
Nós tentamos, nós conseguimos. Por um instante, nada mais.
Por outrem, o tempo mostra que nós não temos controle sobre nós mesmos, tampouco teríamos sobre ele.
E então vai voltando...
E você sente que aquilo não tem de voltar.
Mas sua capacidade de lutar contra já foi gasta na primeira vez...
E você perde esperanças.
Perde forças. Fica submisso e preso a esse fator curvilíneo que nos assombra.
Preso, prisioneiro de si, prisioneiro do tempo, prisioneiro do fato...
...E então tudo passa.
Porque por mais que as coisas não sigam uma linha, elas seguem.
E de alguma forma, algum dia, hei de passar.
Enquanto isso, soframos e bebamos aquele vinho rouge que tanto nos persegue.
Despencando em nossas próprias dores, nossos próprios sofrimentos.
Esperando chegar aquilo que já não controlamos.
Quando já fizemos de tudo para chegar o quão antes...
Não a morte, mas ao menos aquilo que alguns chamariam de tranqüilidade.
Pois felicidade, óh, a felicidade só terei quando conquistar ao menos a tranqüilidade de minha vida...
Mais vinho?
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