→ O amor homem/mulher:
"Não é sem frequência que, à tarde, chegando à janela, eu vejo um casalzinho de brotos que vem namorar sobre a pequenina ponte de balaustrada branca que há no parque. Ela é uma menina de blue jeans e num suéter folgadão, os cabelos puxados para trás num rabinho-de-cavalo que está sempre a balançar para todos os lados; ele, um garoto de, no máximo, dezesseis, esguio, com pastas de cabelos a lhe tombar sobre a testa e um ar de quem descobriu a fórmula da vida. Uma coisa eu lhes asseguro: eles são lindos, e ficam montados, um em frente ao outro, no corrimão da colunata, os joelhos a se tocarem, os rostos a se buscarem a todo momento para pequenos segredos, pequenos carinhos, pequenos beijos. São, na sua extrema juventude, a coisa mais antiga que há no parque, incluindo velhas árvores que por ali espaçam sua verde sombra; e as momices e brincadeiras que se fazem dariam para escrever todo um tratado sobre a arqueologia do amor, pois têm uma tal ancestralidade que nunca se há de saber a quantos milênios remontam.
Eu os observo por um minuto apenas para não perturba-lhes os jogos de mão e misteriosos brinquedos mímicos com que se entretêm, pois suspeito de que sabem de tudo o que se passa à sua volta. Às vezes, para descansar da posição, encaixam-se os pescoços e repousam os rostos um sobre o ombro do outro, como dois cavalinhos carinhosos, e eu vejo então os olhos da menina percorrerem vagarosamente as coisas em torno, numa aceitação dos homens, das coisas e da natureza, enquanto os do rapaz mantêm-se fixos, como a prescrutar desígnios. Depois voltam à posição inicial e se olham nos olhos, e ela afasta com a mão os cabelos de sobre a fronte do namorado, para vê-lo melhor e sente-se que eles se amam e dão suspiros de cortar o coração. De repente o menino parte para uma brutalidade qualquer, torce-lhe o pulso até ela dizer-lhe o que ele quer ouvir, e ela agarra-o pelos cabelos, e termina tudo, quando não há passantes, num longo e meticuloso beijo.
- Que será - pergunto-me eu em vão - dessas duas crianças que tão cedo começam a praticar os ritos do amor? Prosseguirão se amando, ou de súbito, na sua jovem incontinência, procurarão o contato de outras bocas, outras mãos, de outros ombros? Quem sabe se amanhã quando eu chegar à janela, não verei um rapazinho moreno em lugar do louro ou uma menina com a cabeleira solta em lugar dessa com os cabelos presos?
E se prosseguirem se amando - pergunto-me novamente em vão - será que um dia se casarão e serão felizes? Quando, satisfeita a sua jovem sexualidade, se olharem nos olhos, será que correrão um para o outro e se darão um grande abraço de ternura? Ou será que se desviarão o olhar, para pensar cada um consigo mesmo que ele não era exatamente aquelo que ela pensava e ela era menos bonita ou inteligente do que ele a tinha imaginado?
É um tal milagre encontrar, nesse infinito labirinto de desenganos amorosos, o ser verdadeiramente amado... Esqueço o casalzinho no parque para perder-me por um momento na observação triste, mas fria, desse estranho baile de desencontros, em que frequentemente aquela que devia ser daquele acaba por bailar com outro porque o esperado nunca chega; e este, no entanto, passou por ela sem que ela soubesse, suas mãos sem querer se tocarem, eles olharam-se nos olhos por um instante e não se reconheceram.
E é então que esqueço de tudo e vou olhar nos olhos de minha bem-amada como se nunca a tivesse visto antes. É ela, Deus do céu, é ela! Como a encontrei, não sei. Como chegou até aqui, não vi. Mas é ela, eu sei que é ela porque há um rastro de luz quando ela passa; e quando ela me abre os braços eu me crucifico neles banhado em ternura; e sei que mataria friamente quem quer lhe causasse dano; e gostaria que morrêssemos juntos e fôssemos enterrados de mãos dadas, e nossos olhos indecomponíveis ficassem para sempre abertos mirando muito além das estrelas."
Vinicius de Moraes.
E qualquer palavra que agora eu diga, nada acrescentará ao tudo já dito antes.
Amor de irmão: seja de sangue, ou não.
"Entre o preto e o branco, o azul
Entre vacilos e máscaras coloridas
Entre personagens e horas esquecidas
Me perdi.
Oscilei durante anos,
Para mim fiz muitos planos
Nada levei adiante.
Apenas uma alma inconstante,
Destemida e errante.
Andei por estradas desconhecidas
Conheci do mundo seus desenganos
Tropecei em vis humanos
Mas não parei de andar.
Ganhei lembranças apagadas, algumas lágrimas
E um coração emendado.
Mas não hesitei caminhar
E continuei a vagar.
Mãos e passos vazios
Confesso, só, senti frio
Mas nada que não pudesse agüentar
Aprisionei corpo e mente num quarto escuro
À noite sentia-me em apuros
Mas logo o dia chegava,
e guardava mais um pesadelo noturno.
Às vezes temi o futuro
E procurei na sociedade o seguro,
Só encontrei corações fechados.
Fez de mim um mundo isolado
E das noites,
Meu fiel namorado
A quem confessava meus sonhos.
Ao raiar o dia
Tornava-me fria
E de longe observava a sociedade
Mas o longe tornou-se perto
Conheci corações abertos
Pelos quais deixei-me arriscar
E entre o branco e o preto, encontrei o azul
Que teimou em me acompanhar.
Fiz-me cega durante um tempo
Mas reconheci a dor de tanto isolamento
E aceitei prosseguir acompanhada
Construindo laços e os meus sonhos vivendo.
Hoje percorro virgens estradas
E no escuro ainda sinto medo Porém, caminho de mãos dadas."
Thalita.
Há irmãos e irmãos, aqueles que a gente não escolhe.. e com sorte, são pessoas com quem nos damos muito bem, aprendemos e ensinamos, acertamos e erramos, e é a eles que dedicamos metade de nossos risos e metade de nossas "raivas".. raivas porém, que logo passam e tornam-se um dos casos que entre mil risadas vocês contam entre amigos.
E também há irmãos que a vida nos permitiu escolher. E esses, também são dificeis de encontrar..
Não sei te dizer como a gente encontra ou reconhece um irmão, mas eu sei que quando eu olho para os meus o sorriso pecorre minha face como o trem pecorre o trilho com a certeza de seu caminho. E sei que eu brigaria com o mundo todo por eles, e que se um deles me pedem uma besteira se quer, minhas pernas fraquejam só de eu imaginar negar o pedido. E o que mais sei é que não esqueço nunca dos momentos em que a face enrubesceu ao ver o sorriso de um deles ao me ver, e da lágrima que escondi ao escutar um deles suplicando para que eu ficasse mais.
Qual desses amores mais importa?
eu não ousaria responder!
O amor é singular, e sua importância ultrapassa as medidas ou as palavras.
Meus irmãos eu já encontrei, meu outro amor.. creio eu que já ande ao meu redor.. e quando eu encontrá-lo eu vou poder cantar a música de Los Hermanos =]
"Eu encontrei-a quando não quis
mais procurar o meu amor
e o quanto levou foi pra eu merecer
antes um mês e eu já não sei
e até quem me vê lendo jornal
na fila do pão sabe que eu te encontrei
e ninguem dirá
que é tarde demais
que é tão diferente assim
do nosso amor
a gente é que sabe pequena
ahh vaii
me diz o que é o sufoco que eu te mostro alguém
afim de te acompanhar
e se o caso for de ir a praia
eu levo essa casa numa sacola..
eu encontrei-a e quis duvidar
tanto clichê
deve não ser
você me falou
pra eu não me preocupar
ter fé e ver coragem no amor
e só de te ver
eu penso em trocar
a minha tv num jeito de te levar
a qualquer lugar
que voce queira
e ir onde o vento for
que pra nos dois
sair de casa ja é
se aventurar
ahh vaii
me diz o que é o sossego que eu te mostro alguem
afim de te acompanhar
e se o tempo for te levar eu sigo essa hora
eu pego carona
pra te acompanhar"
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